Antes de iniciarmos o estudo sobre a história de Jairo (Mateus 9:18-26), gostaria de falar sobre a data comemorativa do dia dos pais. Essa data surgiu no ano de 1909, depois de uma batalha travada por uma menina americana chamada Sonora Louise Dodd. Ela lutou para que pudesse ser criada uma data em Washington, nos Estados Unidos. O objetivo dela era mostrar para seu pai, John Bruce Dodd, que ela tinha orgulho de sua superação.
O pai de Sonora havia perdido a esposa em 1898, depois de dar à luz o sexto filho. Após isso, John criou todos os filhos sozinho. Ele sempre foi carinhoso e responsável, o que motivou sonora.
No ano de 1924, o então presidente Calvin Coolidge achou a ideia interessante e foi favorável a criação de um dia nacional. Porém, apenas em 1966, já na presidência de Lyndon Johnson, ocorreu a oficialização da data. Ele instituiu o terceiro domingo de junho como sendo o Dia dos Pais nos Estados Unidos. Já no Brasil, esta data só passou a ser comemora em 1953.
Infelizmente, assim como ocorre em outras datas comemorativas, a verdadeira essência do significado da data acaba dando lugar à questão comercial. As entregas de presentes se tornaram a forma de agradar os homenageados. Não é que o problema seja o presente, mas a verdadeira intenção de sua entrega.
O que estou tentando alertar é que no Dia dos Pais, não podemos esquecer da verdadeira importância do que representa ser pai. Muitas crises familiares hoje ocorrem porque não existe uma figura paterna no lar, na família.
A bíblia mostra vários exemplos de pais com histórias de vida excepcionais e que servem de exemplos para nós crentes. Um destes homens extraordinários é Jairo.
O milagre da ressurreição da filha de Jairo é um exemplo que demonstra o quanto a fé em Cristo pode mudar o quadro de uma situação. Nesta passagem, veremos, além disso, a manifestação do poder de Jesus sobre a vida e a morte.
Quem foi Jairo?
Jairo era o chefe da sinagoga, e responsável pela sua administração. Ele presidia o conselho de anciãos e responsável direto pelo funcionamento eclesiástico da sinagoga. Jairo também era responsável pelas tarefas secundárias, onde as delegava para seus subordinados.
Nos chama a atenção o fato de Jairo ter tantas atribuições e ao mesmo tempo não esquecer das responsabilidades familiares. Infelizmente, não é o que vemos hoje em dia, muitos líderes de igreja deixam a desejar no quesito cuidado familiar.
Jairo deixou todas as responsabilidades de lado para dar atenção máxima a sua filha que estava muito doente. Isso merece um pouco de atenção da nossa parte. Às vezes, por não darmos a devida atenção aos nossos filhos (e familiares de uma forma geral) acabamos não percebendo certas fragilidades tanto no aspecto físico, quanto no emocional e espiritual.
A falta de conhecimento de males sociais, espirituais e emocionais dos filhos estão provocando desastres nas famílias. Essa falta de sensibilidade aos problemas ocorre porque estes estão sendo maquiados por outras coisas, por outras prioridades. Aquilo que nos foi entregue tem que ser cuidado, do contrário, perderemos. Como disse o sábio Salomão em Cantares, “… me puseram por guarda de vinhas; a vinha, porém, que me pertence, não a guardei” Cantares 1:6.
Jairo procurou Jesus
Ficou notório até aqui que Jairo era uma pessoa que apresentava sabedoria, ou seja, ele saberia recorrer a pessoa certa neste momento tão difícil. Ele demonstrou prudência até na abordagem a Jesus de Nazaré, ele se prostou aos seus pés e suplicou por ajuda.
Jairo procurou Jesus não por causa de trabalho ou por outra situação, mas por conta de uma necessidade familiar, isto é, sua única filha estava muito doente, e naquele momento era sua prioridade.
O encontro de Jairo com Jesus ocorreu logo após o mestre ter chegado de viagem. Ele havia acabado de atravessar o mar da Galileia, depois de ter vindo da região de Decápolis. Lá o Messias tinha libertado um homem endemoninhado (Marcos 5:1-20).

Logo depois que Jesus chegou à cidade de Cafarnaum, os que seguiam a João Batista vieram tratar de algumas questões e perguntar sobre algumas coisas relacionadas ao jejum.
Neste momento de conversa com os discípulos de João, Jairo se aproximou de Jesus. Ele rogou de forma humilhante para que o Mestre curasse sua filha.
A enfermidade da filha de Jairo
A bíblia não deixa claro sobre qual enfermidade a filha de Jairo tinha. Sabe-se apenas que era uma doença terminal. Ela tinha apenas doze anos de idade naquela ocasião.
A motivação de Jairo na buscar por Jesus foi o fato de sua única filha está gravemente doente, ou seja, ainda não estava morta. Isso quer dizer que Jairo queria que Jesus realizasse um milagre de cura para a sua filha. Por isso, que diante de Jesus, Jairo se prostrou aos seus pés para lhe fazer o pedido.
Diante dessa situação delicada, Jairo pediu para que Jesus fosse até sua casa. Ele acreditava que se Jesus apenas impusesse as mãos sobre a menina, ela seria curada. Em todo momento a fé de Jairo é destacada como algo exemplar. Se analisarmos cada um dos Evangelhos perceberemos que em nenhum momento Jairo perdeu a fé, pelo contrário, ele se mostrava sempre com a certeza de que se Jesus tocasse sua pequena filha, ela viveria.
Jairo leva Jesus até a sua casa
A primeira grande reflexão que devemos tratar neste tópico é que Jairo fez de tudo para que Jesus fosse até sua casa. Daí vem uma pergunta inevitável: Quem ou o que você está levando para sua casa?
Muitos levam amigos, dinheiro, vícios, diversão, abusos e outras perversidades. Isso me faz lembrar daquele homem que saiu para buscar comida para sua casa e encontrou uma trepadeira silvestre e levou para comerem, achando ele que era algo bom. Depois disso, só se escutou o clamor: há morte na panela. Jairo fez diferente, ele não levou morte para sua casa, mas o dono da vida.
É bem verdade que existem muitos empecilhos para se levar Jesus até as nossas casas. Podemos destacar alguns deles: A multidão, que nos impede de ter o contato com o mestre (assim como a mulher do fluxo de sangue e o cego Bartimeu); Os familiares, que as vezes são mais inimigos do que os de fora (a família de Jairo pediu para não incomodar o mestre, pois a menina já não estava mais com vida); Os problemas que parecem não ter solução e nos deixam desmotivados em seguir buscando a Jesus (Mesmo com os problemas Jairo prosseguiu).
Depois da atitude de Jairo, Jesus escutou o seu pedido e foi até à casa onde estava a menina. Vale destacar que neste momento existia uma grande multidão seguia Jesus e o apertava. Isso porque a cidade de Cafarnaum, onde estavam, servia de base para Jesus e seus discípulos. Por esse motivo, muita gente estava naquele lugar.
No meio desta multidão algo extraordinário ocorreu e fez com que a ida de Jesus à casa de Jairo fosse interrompida. No meio dessa multidão estava uma mulher que sofria a mais de doze anos com um tipo de hemorragia. O curioso desta situação é que o tempo de sofrimento desta mulher era o mesmo de vida da filha de Jairo. Essa é uma conexão que só poderia ocorrer na presença de Jesus.
A morte da filha de Jairo
Logo depois de realizar um milagre maravilhoso, ou seja, a cura da mulher do fluxo de sangue, os mensageiros da casa de Jairo estavam vindo com notícias nada agradáveis. Eles informaram que a filha de Jairo havia acabado de falecer. Foi neste momento que Jairo escutou dos mensageiros de sua casa: “Tua filha já morreu; por que ainda incomodas o Mestre?” (Marcos 5:35).
Naquele momento, mediante essa notícia, fica claro que os mensageiros já não acreditavam que algo pudesse ser feito, isto é, que aquela situação poderia ser revertida.
Sob todos os olhares naturais o que estava ocorrendo naquele momento seria uma situação irreversível.
Contudo, a Bíblia mostra que a reação de Jesus foi outra, Ele não deu importância para a notícia trazida por aqueles mensageiros. Na realidade, Ele confortou o Jairo dizendo: “Não temas, crê somente” (Marcos 5:36).
Assim, sem sofrer influência da notícia revelada, Jesus retomou seu caminho e continuou seguindo em direção à casa de Jairo. Ao chegar lá, Jesus e os que o acompanhavam viram as pessoas desesperadas e pranteadas por causa do ocorrido.
Isso não era estranho para aquela época, já que era costume o sepultamento ocorrer logo após a morte de uma pessoa. Vale destacar que além das pessoas da família eram contratadas pessoas que tinham a função de chorar pela pessoa morta, eram chamadas de carpideiras profissionais. Estas já estavam realizando seu trabalho naquele momento.
A ressurreição da filha de Jairo
Logo em sua chegada, Jesus disse uma coisa que chamou a atenção dos presentes. Ele disse: “Por que chorais? A menina não está morta, mas dorme” (Marcos 5:39). Quem não entendeu o que Jesus havia falado acreditou que ele tinha dito que a menina estava em coma e não morta. É claro que a menina já estava morta, inclusive isso foi atestado por várias pessoas que estavam diante da menina (cf. Lucas 8:53). Então, Jesus ordenou que a menina se levantasse. Logo depois disso, diz a Bíblia, que “seu espírito retornou” (Lucas 8:55).

Vale frisar que quando Jesus disse que a menina estava apenas dormindo, muitas pessoas pararam de prantear para caçoar e debochar de Jesus. Para eles Jesus não passava de um desequilibrado que não sabia o que dizia.
Essa situação é semelhante ao que ocorreu com a ressurreição de Lázaro. Na ocasião Jesus declarou aos seus discípulos: “Nosso amigo Lázaro adormeceu” (João 11:11). Mas logo depois Jesus afirmou claramente: “Lázaro está morto” (João 11:14).
Assim sendo, fica muito claro que realmente a filha de Jairo estava morta. Jesus usou a expressão “dormindo”, para enfatizar que seria algo temporário, ou seja, que está dormindo uma hora vai acordar. Para quem estava vendo aquela situação, o lamento e tristeza eram as únicas coisas que podiam ser feitas, mas para o Filho de Deus aquela era uma ocasião de grande júbilo e contentamento, pois a menina despertaria da morte como quem desperta de um sono.
Outra atitude que chama a nossa atenção é a de Jesus, quando mandou que todos que tumultuavam a casa de Jairo saíssem. Ele deixou apenas que o pai e a mãe da menina e os seus discípulos ficassem no lugar. Já no quarto onde a filha de Jairo se encontrava, Jesus a tomou pela mão e disse: “Talita cumi, que quer dizer: Menina, eu te mando, levanta-te” (Marcos 5:40).
É interessante notar que Jesus pronunciou essas palavras em sua própria língua, isso significa que Ele considerou aquela situação como sendo de muita seriedade. Não temos certeza, mas talvez seja a mesma língua da menina e da família, por isso o Senhor as usou para acordá-la.
Logo após Jesus ter proferido tais palavras, a filha de Jairo, estava novamente viva. Diante dos olhos daquela multidão, que sabia que não existia mais vida naquela menina, Jesus realizou um grande milagre. Por isso, todos ficaram muito admirados (Marcos 5:42).
É curioso observar que logo depois da menina “acordar” Jesus ordena que dessem de comer a ela. Ele também pediu para que ninguém dissesse o que ocorreu naquele lugar. Acho que foi um pouco difícil todos, diante daquele milagre, não terem sequer comentado na quela região.
O pedido de Jesus faz-nos entender que o povo ainda não estava preparado para compreender tais milagres ou que ainda não havia chegado o tempo para que as pessoas pudessem contemplar a grandeza do seu ministério na terra.
Lições que Aprendemos com Jairo
Neste tópico sintetizarei todas as características de Jairo que analisamos no decorrer deste estudo em tópicos que tratam das principais virtudes deste grande pai e homem de Deus.
Um pai responsável e presente
- Jairo assumia o papel de pai de forma consciente e dedicada.
- Mesmo sendo um homem de grande responsabilidade social (chefe da sinagoga), não deixou de cuidar da sua família.
- No momento de maior necessidade, buscou o que sua filha mais precisava: cura e vida.
- Ele foi ao lugar certo: aos pés de Jesus.
Um pai persistente e paciente
- Jairo não desistiu, mesmo diante de obstáculos.
- Esperou enquanto Jesus era cercado pela multidão e até curava outra pessoa.
- Sua paciência mostrou que ele confiava no tempo e na vontade de Deus.
Um pai de fé inabalável
- Mesmo ao ouvir que sua filha já havia morrido, escolheu crer na palavra de Jesus.
- Fé não é ausência de más notícias, mas decisão de acreditar apesar delas.
- Jairo confiou que Jesus tinha poder sobre a doença e até sobre a morte.
Um Pai Que Sabe a Quem Recorrer em Crises Familiares
- Soube ir à fonte certa: Jesus Cristo.
- Soube ir da maneira correta: prostrando-se aos pés de Jesus.
- Soube pedir da forma certa: suplicando com humildade.
- Escolheu Jesus apesar das alternativas: sua posição social, recursos financeiros ou religião poderiam lhe abrir outras portas, mas ele foi direto àquele que pode todas as coisas.
Um Pai Que Leva Jesus Para Casa
- Reflexão: Muitos pais hoje levam para casa dinheiro, diversão passageira, vícios, violência, infidelidade ou maus exemplos. Isso gera destruição, como em 2 Reis 4:39 — “há morte na panela”.
- Jairo, ao contrário, levou vida para seu lar, e vida em abundância.
Desafios para levar Jesus para casa
- A multidão: no caminho, Jesus foi interrompido por outras necessidades e a filha de Jairo morreu.
- A família: um familiar chegou a dizer: “Não incomode mais o Mestre”.
- As más notícias: ouvir que “sua filha já está morta” poderia ter destruído sua esperança.
Mas Jairo superou tudo isso. Ele fez a sua parte como pai e deixou o resto nas mãos de Jesus.
Aplicação para o Dia dos Pais
Ser pai não é apenas prover financeiramente, mas saber a quem recorrer, manter a fé nas crises, e levar Jesus para dentro de casa. Pais como Jairo nos lembram que a maior herança que podemos deixar não é material, mas espiritual.
Observamos que o mundo não facilita a criação dos nossos filhos: muitas ofertas, muitas vitrines e muitos ensinamentos falsos. Muitos são os exemplos de famílias que estão à beira do abismo espiritual, pois estão em um vale de morte. Pais, temos que conduzir nossos filhos pelos melhores caminhos e se for preciso passar por algum vale de morte, que possamos nos apegar ao nosso Pai celestial para nos ajudar atravessar qualquer caminho de morte e encontrar a vida eterna.
Conclusão
Ao final deste estudo sobre a história de Jairo, compreendemos que seu exemplo transcende o relato de um milagre; ele nos oferece um poderoso modelo de paternidade fundamentada na fé. Jairo, um homem de alta posição, nos ensina a lição da humildade, ao se prostrar diante de Cristo; a lição da prioridade, ao colocar a necessidade de sua família acima de seu status e de suas responsabilidades públicas; e, acima de tudo, a lição da fé persistente, ao escolher acreditar na palavra de Jesus (“Não temas, crê somente”) mesmo quando a esperança parecia morta.
Para os pais de hoje, os desafios podem ser diferentes, mas a essência do chamado é a mesma. A “multidão” que nos impede de chegar a Jesus pode ser a carreira, as distrações ou as preocupações do dia a dia. As “más notícias” podem vir em forma de diagnósticos, crises ou desvios de rota dos filhos. O exemplo de Jairo nos conclama a não dar ouvidos às vozes do desespero, mas a persistir em nossa busca, com a certeza de que a atitude mais importante de um pai é levar Jesus para dentro de seu lar.
Portanto, que a maior herança que um pai possa deixar não seja material, mas o legado de quem sabe a quem recorrer na hora da angústia. Jairo levou o Dono da Vida para sua casa e transformou um cenário de luto em celebração. Que, como ele, possamos ser pais que, diante das impossibilidades, têm a fé e a coragem de conduzir nossa família diretamente à presença de Cristo, onde a morte dá lugar à vida e a tristeza se converte em alegria.
Que Deus te abençoe!

Sou professor de Química e seguidor de Cristo Jesus. Faço parte da Igreja Assembleia de Deus, em Icapuí-CE. Amo estudar a palavra de Deus, pois sei que dela vem o verdadeiro conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Acredito, também, que é por meio da compreensão das escrituras que poderemos experimentar o autêntico avivamento espiritual, por isso devemos examiná-las.

